Soprando as velinhas:
Os 100 anos do Corinthians

João Luís de Almeida Machado é Membro da Academia Caçapavense de Letras e Fiel Torcedor do Sport Club Corinthians Paulista
O fiel torcedor é, sem qualquer dúvida, o maior de todos os patrimônios deste clube que hoje completa seu centésimo aniversário. É verdadeiramente louco, como canta nos estádios, pelo manto alvinegro e todas as coisas relacionadas a nação de aproximadamente 30 milhões de pessoas (maior que a população do Chile, da Austrália e de tantos outros países). Apaixonado é capaz de ir e vir quantas vezes for, peregrinando pelos estádios do país, em busca do futebol que preza, de garra e incessante luta pela vitória. Chora nas derrotas, amarga em seu coração as decepções sofridas ao longo de toda esta trajetória, mas jamais abandona o barco, por isso mesmo fiel. Não se esconde quando o time perde. Não deixa de usar a camisa alvinegra mesmo nas mais dolorosas situações. E vibra com intensidade inigualável quando as vitórias suadas ou tranquilas colocam a equipe na disputa pelos troféus e glórias mil deste infindável de torneios futebolísticos que se sucedem.
O corinthiano, como eu e toda a família, é chamado de “maloqueiro” e marginal, é gozado pelos outros torcedores, especialmente pelos maiores rivais, também do estado de São Paulo, mas não perde a fé, a fibra e o orgulho. Seu maior sonho, o do estádio compatível com a grandeza desse clube que tantos títulos conquistou (Mundial, Brasileiros, Copas do Brasil, Paulistas...), motivo pelo qual sempre foi espicaçado pelos torcedores de outras camisas, é o presente maior neste 1º de Setembro. Anunciado o projeto, os parceiros, a disposição de fazer com que a Arena Corinthiana seja um dos palcos do Mundial de 2014 (ou até mesmo o cenário ideal para a abertura desse magnânimo encontro futebolístico), as obras estão previstas para se iniciar em 2011 e findar em 2013.
Desse berço esplêndido, nação amada Corinthians, brotaram craques e jogadores apenas esforçados, mas que por sua dedicação, também ficaram na memória do torcedor. Tivemos Sócrates, Rivellino, Gilmar, Luisinho, Baltazar, Biro-Biro, Marcelinho Carioca, Zé Maria, Wladimir, Ronaldo (o goleiro), Casagrande, Neto... Hoje temos Ronaldo (o fenômeno), Roberto Carlos, Bruno César, Elias, Dentinho, Jucilei, Chicão, William... Com a camisa alvinegra também brilharam estrangeiros como Gamarra, Tevez, Mascherano, Rincón, Daniel González...
Amargamos períodos sem títulos, como aqueles 23 longos anos sem conquistas que terminaram na final épica de 1977 contra a Ponte Preta. Vimos a Invasão Alvinegra no Maracanã na semifinal do Brasileiro de 1976 contra o Fluminense. Assistimos a vitória nos penaltis, suada e sofrida, contra o Vasco, na final do Mundial de 2000 (o primeiro organizado pela FIFA). Sofremos mas crescemos na Série B. Conquistamos os brasileiros com classe e garra de verdadeiros guerreiros. Esperamos a conquista da América, título que ainda não temos em nosso currículo mas que certamente virá, mais dia menos dia...
Tivemos em nosso comando técnico mestres como Oswaldo Brandão, Carlos Alberto Parreira, Jorge Vieira, Wanderley Luxemburgo, Mario Travaglini e mais recentemente o atual técnico da Seleção Brasileira, Mano Meneses. Vivemos sob a batuta de dirigentes como o saudoso Vicente Matheus, folclórica figura, de afirmações memoráveis, que fazem parte do melhor do humor futebolístico de todos os tempos e que tem hoje em Andrés Sanches um herdeiro à altura, na paixão e desprendimento pelo clube.
Nossa torcida, de milhões, tem também vários ilustres, entre os quais, certamente, destaque especial para Ayrton Senna. Além dele, igualmente enaltecem o Timão o presidente Lula, Toquinho, Rita Lee, Rubens Barrichelo, Luciano Huck, Serginho Groisman, Daniel Piza, Sabrina Sato, Marcelo Rubens Paiva, Juca Kfouri...
Corinthians centenário, de tantas paixões e conquistas, que tanta comoção e polêmica causa, por onde quer que ande, despertando amor cada vez mais pronunciado e profundo de seus torcedores e rivalidades em seus não-torcedores, os votos de que este aniversário seja muito feliz e que mais festas possam ser celebradas a cada nova velinha colocada em seu bolo! Com muitos troféus e champanhe (ou melhor, cerveja gelada que é mais a cara da fiel torcida!).