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Coador de Pano

Ricardo Ferraz

Nuvens negras

Com uma sobrecarga no trabalho me vi forçado a abandonar o meu “Coador” por diversas vezes, em semanas alternadas. Entretanto, ante a cobrança de alguns leitores, o que muito me envaidece, retorno hoje prometendo uma constância maior nos meus escritos. Satisfeito, amigo Jacaré?
E com isso, embora não seja a praia de minha preferência, nesta semana resolvi discorrer sobre um tema que muito me tem agoniado. Trata-se de um tema político, uma verdadeira nuvem negra a pairar no horizonte do céu da Pátria. Trata-se, prezados leitores, da ameaça que essa camarilha de terroristas, corruptos e comunistas que, em não se cansando de apanhar (lembram-se de 35 e de 64?), querem voltar à carga com a tentativa de implantação daquela doutrina que tem por fundamento o ateísmo e a negação da iniciativa privada. Tudo dentro da mais explícita baderna governamental que por aqui já se instalou. Em minha gênese familiar, toda ela constituída em cima arraigada tradição cristã/católica, o trabalho e a iniciativa privada caminharam sempre par e passo, dando subsistência e amealhando patrimônios às sucessivas gerações dos Campos e Ferraz. Por essa razão não posso deixar de ficar apreensivo quando a propalada candidata a sucessão do atual presidente vem a ser uma legítima representante daquele status quo. Nesse ponto vale ressaltar que socialismo e comunismo são palavrões para o espírito brasileiro. Os próprios simpatizantes de tal doutrina, reconhecendo esta verdade, sentem a língua queimar-lhes quando tem de declarar sua tendência num pronunciamento público. Vocês já viram, por exemplo, um militante declarando-se diante de um microfone como membro do PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL? Como de praxe, nestes momentos eles sentem papas na língua, simplificando a coisa, dizendo-se membros do Pê Ce do Bê. E aqui vale lembrar também que esse tal PT (Partido dos Trabalhadores) nada mais é que um “regra três” nos propósitos da caterva que ora detém o poder no Brasil.
Mas não quero me ater ao que o futuro propõe. Quero me fixar no presente, pois é nele que está o cadinho das nuvens negras do título acima. É nesse desgoverno de meias verdades e, sobretudo, de mentiras inteiras que reside o perigo. Sempre que me referi ao metalúrgico presidente, o fiz denegrindo-o de cabo a rabo, levando em conta sua ignorância e truculência. Penso que o subestimei um pouco em sua esperteza. Hoje, para ser um mínimo justo, quero por à luz as suas “qualidades” que giram, via de regra, em torno de sua megalomania desmedida e do corporativismo da classe da “cumpanherada” que o assessora e bajula. Que o homem é esperto, já não se discute mais. Que o populismo é uma de suas armas preferidas, também já não se duvida. Ou será que aquela cena dele saindo da praia carregando um isopor na cabeça foi simples casualidade? Ele sabia que as teleobjetivas estavam assestadas para ele naquele instante... É como se diz: - me engana que eu gosto! E pergunto ainda: terá sido por profundo amor aos pobres que essa avalanche láctea das tetas da nação, chamada “Bolsa Família”, foi um verdadeiro ato de amor ao próximo desvalido? Que o digam os oitenta por cento dos “pesquisados”... (Eu nunca fui, você já?).
Bem, prezados leitores, a intenção foi de realçar um alerta que corre pela internet. Não pense que o bem maior do país está em pauta. Saiba antes que os propósitos deles são sombrios e exigem o grito dos bons para que não suceda instalar-se o mal pela gritaria dos malvados.
Costumo encerrar minhas considerações com duas trovas. Hoje não vou fazê-lo. As trovas encerram três possíveis mensagens, todas elas nobres, a saber: o LIRISMO, o HUMORISMO, e/ou UM FUNDO FILOSÓFICO. Para usar de lirismo seria uma aberração de minha parte, visto que o que os agrada são sons de bombas e rajadas. Para o humorismo também seria incoerência usá-lo, quando o humor deles é o do oportunismo, do revanchismo e do corporativismo. Por último, dedicar-lhes uma trova filosófica, seria colocá-los sob confusão mental, visto que tais assertivas costumam causar distúrbios digestivos em seu Chefe maior.

Ricardo Ferraz – Aposentado, artesão, escritor, membro da
Academia Caçapavense de Letras. e.mail:
ricardaoartesao@gmail.com

 

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