Coador de Pano - Ricardo Ferraz*

Até quando, Brasil?

De autoria do Deputado Aldo Rebelo, já está em vigor a lei que disciplina os estrangeirismos em nossa língua. Eu disse, em vigor? Bem, nem tanto, não é? Afinal leis neste país só servem mesmo para político encenar trabalho...
Se há coisa que a muitos incomoda, essa é o tal de modismo, principalmente quando ele encerra em sua propagação segundas intenções, como por exemplo, intenções de domínio sobre um país. Há, porém, a corrente oposta, que por ideologia, gosta dele. E assim, viventes de um regime dito democrático, temos que conviver com essa praga, nós que a execramos. Mas nada impede que em defesa de nosso ponto de vista, nacionalista por excelência, lhe deitemos o cacete adequadamente. E mais legitimidade nos dá o protesto quando o modismo diz respeito à nossa língua, o que, por decorrência, termina por minar costumes, solapar o folclore e até aviltar conceitos cívicos básicos da nossa nacionalidade.
Comecemos, então, por lamentar esta geração de papa-hambúrgueres - em português, de propósito – que sob a égide macdoniana despreza nossos baurus, ou um bom misto de pernil, ou ainda o tradicional pão com churrasquinho na chapa.
Sigamos em frente lamentando esta geração de “mauricinhos” que só se contenta ao ostentar roupas de marcas estrangeiras, ignorando coisas nacionais. Os tais se sabem alguma expressão estrangeira é por via e força do vil estrangeirismo que vai ocupando seu espaço cada vez maior dentro de nosso idioma. Outro dia, um infeliz destes, portava uma camiseta com os dizeres: “shoot my buttock, please”. Indagado se sabia o significado da frase, respondeu que nem fazia idéia! Tive realmente que me segurar para não lhe aplicar um bom chute na bunda, afinal era um pedido dele...
Lamentemos esta geração de Balada Sertaneja de visual importado, que muitos já chamam apropriadamente de Balada Sertanojo. Como ficamos apreensivos ao ver nossas festas juninas já saturadas de chapelões de cow-boys em menosprezo ao nosso chapéu de palha. Como ficamos pesarosos vendo nossa “quadria” cedendo espaço para danças copiadas do estilo western. Que constrangimento então, aquelas moçoilas gesticulando, como se lavando roupas em tanque e atirando as pernas para os lados, alternadamente. Nessa hora dou vivas aos irmãos nordestinos que são irredutíveis na manutenção de tradições. Tomemos aqui o belo exemplo do que fizeram com o “For all”, impondo em seu lugar, sob linguagem nova, o forró com direito a zabumba e sanfona.
Olhemos com apreensão ainda para esta geração de “Bills Gates”, que via informática lancham inglês, almoçam inglês, e jantam inglês. Outro dia também li um artigo de um desses inglesleiros, (mistura de inglês com brasileiro) que preconizava a substituição do português pelo inglês, na definição da nomenclatura da informática. Pobre e derradeira “Flor do Lácio”...
Intensifiquemos nossa apreensão ao constatarmos esta crescente geração de machos e fêmeas de confusa definição sexual, meio em que se alastram cada dia com mais intensidade, os da coluna do meio. Preconceito? Homofobia? Penso que não. Apenas apreensão. Lembro-me, por isso, da musiquinha que andava na boca da molecada do meu tempo: “Porém, se a Pátria Amada precisar da macacada, etc, etc, etc...”.
Aqui você poderá perguntar: - E nesse caso, o que o modismo tem a ver? E eu lhe respondo: - É uma dar formas de atuação. Senão, vejamos: minar a estrutura básica da sociedade, a família, solapando-lhe o cerne. Na semana passada chegou-me às mãos uma revista americana, destas tipo “Caras”, onde constavam seis reportagens de casamentos entre lésbicas, com farta documentação fotográfica. A grande nação americana está podre, gente! Não é à toa que perdeu a Guerra da Coréia, a do Vietnã e está apanhando prá valer no Iraque! Se ganhou no Japão, foi por força da Bomba, nunca pela tenacidade de seus soldados. Na Segunda Mundial, não fosse a somatória de forças Inglesas, Francesas e “outras”, ardilosamente convencidas a lhe dar apoio, não sei o que teria sido do pobre Tio Sam.
Atentemos por último para o modismo de nossos arquitetos, que paridos em levas por nossas abundantes faculdades, não abrem mão do inglês nas legendas de seus projetos. É então, um tal de living, hall, home theater, closet, kitchen, and so on…
Concluindo, penso que no compasso da carruagem, quando Tio Sam achar de intervir aqui, muitas coisas já estarão bem arranjadas. Já se diz que o velho daquele famoso cartaz, com cartola estampando as cores de sua bandeira, e a nos apontar o dedo, já mudou o recado. Agora ele se dirige ao Lula e camarilha, dizendo: “Eu to di olho nu sinhorrr”.
Encerrando, fecho com a trova:

É preciso por em versos
Os perigos do modismo.
Pois, costume tão perverso,
Fruto é do Imperialismo.

* Ricardo Ferraz é membro da cadeira 6 da Academia Caçapavense de Letras

Contato - ricardaoartesao@gmail.com

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